Treina em casos simulados, é avaliada por fora, e transforma o defeito que se repete numa regra — em rascunho.
Uma empresa que só aprende com clientes reais aprende à velocidade a que os clientes chegam. Isso são semanas entre lições, e as lições vêm caras — cada uma é um cliente que recebeu pior do que devia.
Por isso a empresa treina sozinha. Corre casos inventados — briefings completos, briefings maus de propósito, famílias de trabalho que importam — e é avaliada por um juiz de fora. Cem ensaios numa noite, avaliados antes de alguém acordar.
Três coisas que impedem o treino de se enganar a si próprio
- 1Tudo o que um ensaio produz nasce marcado como sintético. Nunca conta como trabalho entregue, receita, nem resultado de cliente. Um ensaio que se disfarça de venda envenena todos os números da casa.
- 2O avaliador nunca é da família de quem produziu. Sem isso, a nota é autoavaliação vestida de número.
- 3Um defeito vira regra candidata, nunca uma mudança em produção.
O terceiro ponto é o mais importante
Quando o mesmo defeito aparece vezes suficientes, a frase do juiz sobre o que o teria evitado é transformada numa regra. E fica em rascunho. Sempre.
Um defeito repetido é prova de que existe um problema — não é prova de que aquela é a solução. Publicar automaticamente seria deixar um modelo a escrever a doutrina que governa os outros, sem ninguém a ler pelo meio: exatamente o ciclo que a governança das regras existe para impedir.
E os juízes enganam-se. Já aconteceu um penalizar «fragmentos estranhos» num documento que eram do nosso próprio gerador, não do trabalho avaliado. Uma regra nascida daí corrigiria um defeito que não existe. Em rascunho, isso custa-te uma leitura. Publicada, custaria todas as propostas seguintes.
Como se sabe se melhorou mesmo
Com cuidado, porque é fácil enganar-se aqui. Comparar as primeiras cinco notas com as últimas cinco parece progresso e não é: são casos diferentes, e como um em cada três briefings é mau de propósito, a janela do fim pode ter apanhado mais deles. Isso mede a dificuldade dos casos, não a aprendizagem — e já saiu negativa numa corrida em que a empresa tinha melhorado.
A comparação só vale quando é o mesmo caso, antes e depois. Por isso a página da aprendizagem separa três afirmações que costumam vir misturadas: como está, se mexeu, e o que aprendeu. São de força muito diferente e só a última precisa de prova.
Onde isto é mesmo aplicado
- O treino em casos simulados
src/lib/agentic-company/learning/self-training.ts - De defeito repetido a regra candidata
src/lib/agentic-company/learning/lessons.ts
Este texto explica; aqueles ficheiros decidem. Se discordarem, é este texto que está errado.